quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Realismo



Durante a segunda metade do século XIX, uma grande quantidade de tendências artísticas surgiu no contexto ocidental, sendo as principais o Realismo, o Naturalismo, o Parnasianismo e o Simbolismo. Essas novas formas de arte coexistiam, disputavam espaço entre si e, muitas vezes, apresentavam tendências contraditórias, como as idéias do

Realismo e do Naturalismo em oposição às do Simbolismo e as idéias de versificação parnasianas contrapostas às simbolistas. Essa grande profusão de tendências diferentes fez desse século um período marcado pela ambigüidade.

 Desde 1848, um pouco antes do final do segundo império napoleônico e das grandes manifestações anarquistas até o fim do século XIX, ocorreram mudanças significativas no contexto ocidental nos campos científico, social, econômico e político.

Na ciência, houve a substituição da visão criacionista do homem — pautada nas doutrinas religiosas, em especial a cristã — pela evolucionista, fundamentada nas novas teorias desenvolvidas durante o século XIX. Entre os representantes mais importantes dessas teorias estão Darwin e Lamarck.

Ainda nesse século, a produção de bens cresceu devido à utilização em larga escala do petróleo e da eletricidade, além de mudanças nas técnicas da automatização do trabalho operário. Máquinas cada vez mais modernas e rápidas começaram a ser implementadas nas indústrias, que, por fim, tornaram-se cada vez maiores.

A diferenciação entre os diversos setores da burguesia, que lutaram juntos na simbólica Revolução Francesa, ficou cada vez maior. O capitalismo se consolidou de maneira definitiva no Ocidente, ocupando todo o espaço de outras formas econômicas, como o mercantilismo.

As grandes cidades européias passaram a crescer de maneira muito rápida devido a mudanças que vinham ocorrendo desde o século XVIII, em especial o cercamento dos campos, que praticamente aboliu as terras comunais e retirou o poder dos nobres proprietários de terras, sendo substituído por uma organização mais produtiva e necessária tanto para o sustento das grandes cidades européias como para a liberação de mão-de-obra para trabalhar nessas cidades.

Nesse contexto, diversas teorias econômicas, políticas e ideológicas encontraram terreno fértil, das quais podemos citar como as mais importantes o anarquismo e o marxismo. O primeiro movimento, liderado por Bakunin, encontrou grande repercussão nos movimentos de 1848 e nos movimentos operários, como o cartismo e o ludismo.

As idéias socialistas disputavam espaço com as anarquistas na sucessão do mundo capitalista. Desde o lançamento do Manifesto Comunista, Marx passou a contar com um número crescente de “discípulos” na Europa e a formar uma das mais importantes correntes socialistas em atuação no Ocidente.

Paralelamente a essas mudanças, o Brasil também viveu um clima de transformações. Em meados de 1870, movimentações sociais fizeram com que as idéias abolicionistas ganhassem força, e, em 1888, decretou-se a abolição da escravatura no Brasil. Logo após esse evento, em 1889, aconteceu a Proclamação da República, quando os republicanos conseguiram impor seus ideais. Nessa ocasião, o poder foi assumido por militares para que os ideais positivistas de um governo racional, leigo e desvinculado do poder eclesiástico fossem colocados em prática.

Mas, ao assumir seu posto, o governo republicano reafirmou velhos valores e hábitos que já estavam presentes na época imperial brasileira. Era o início da República Velha, também conhecida como República do café-com-leite ou República dos Coronéis.

Ao mesmo tempo em que os ideais positivistas se desenvolviam no Brasil e no mundo, cresciam os ideais voltados para a espiritualidade. Os movimentos messiânicos, como os sebastianistas (que acreditavam na volta de Dom Sebastião), ganharam muita força no final do século XIX, motivados por uma descrença nos ideais racionalistas por parte das massas populares e pela proximidade do início de um novo século — época propícia a crenças apocalípticas.

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